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Poema Primeiro amor (Leído veces)

Por ANTONIO CAMBETA

Monte do Trigo a viu nascer,
e para Évora foi morar,
aí a vim a conhecer
e com ela namorar.

Estávamos no carnaval,
e no Bocage dançando,
ela estava divinal
e meu coração cobiçando.

Saia branca envergava,
parecia um anjo do céu,
meu coração palpitava
para lhe poder ergueu o véu.

Mascarados nós estávamos,
mas era fácil reconhecer
e então quando dançavamos
nos olhos nos podiamos ver.

Foi grande a emoção,
ela logo me reconheceu,
bateu então meu coração
e amor ali nasceu.

Às tantas da madrugada,
foi quando o baile acabou
e pela mão da mãe amada
para casa regressou.

Com a sua permissão,
eu lhes fiz de companhia
ia a mãe e o irmão
suas primas e uma tia.

No Bairro da Câmara ficaram,
Largo Nossa Senhora da Conceição,
nossos olhares se trocaram
demos um aperto de mão.

Para casa então segui,
levando-a no pensamento,
nessa noite pouco dormi
foi grande o meu tormento.

Ensonado me levantei,
e para o trabalho segui,
ela eu não encontrei
mas carta de amor escrevi.

Nela meu amor declarava,
e namoro eu lhe pedia
era a minha deusa encantada,
e românticamente o fazia.

Nessa noite a entreguei,
trémulo e ansioso,
e pela resposta aguardei
ficando muito nervoso.

Coisas da mocidade,
da juventude irreverente,
com 15 anos de idade
e amor que já se sente.

Foi assim que começou,
esse meu primeiro amor,
sua mãe abençou
com carinho e com calor.

Mas como tudo na vida
tem os seus dias contados
e com a minha saída
deixámos de ser namorados.

Para Macau eu segui
ela por lá ficou,
seu coração eu já não vi,
e outro amor, ela, começou.

Quarenta e três anos se passaram,
saudades as tenho comigo,
pois raízes cá ficaram
e sonho sempre contigo.

Fostes e sempre serás o meu primeiro amor,
outros na vida encontrei
cheios de afecto e calor
mas esse recordarei.

Antes era a mocidade
agora a experiência da vida,
estamos na terceira idade
recordando vida vivida.

Por ANTONIO CAMBETA
Publicado Thursday, March 15 2007



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